Sexta-feira, Outubro 19, 2007
Três registros ao vivo do Deep Purple saindo no Brasil!
 
Este é um blog cuja origem é um fanzine. Aliás, um dos melhores que eu já vi (tanto o fanzine quanto o blog). O que provocou tudo isso? A existência de uma coisa chamada “fã”. Abreviatura de “fanático”, ou seja, alguém que adora alguma coisa com uma intensidade um pouco além do normal. No nosso caso, a música. O Rock. Todo o fã faz alguma coisa pelo seu ídolo. Uns compram os discos, outros os discos e as camisetas, outros, como o Bento, fazem fanzines, outros fazem... discos! É, existem os que não se contentam com a discografia disponível e resolvem dispor aos demais fãs aquelas obras especiais que não saíram (nunca saem!) no Brasil.
Eu conheço pelo menos um cara assim, o Ricardo Diniz, fã do Deep Purple. Ele fundou a Biplane Records e passou a representar o selo Purple Records no Brasil. A Biplane já está em atividade os primeiros discos de seu catálogo já estão à venda. Com isso, os fãs – e, na verdade todos os amantes da boa música – ganharam, de cara, três excelentes lançamentos de obras inéditas do Deep Purple aqui no Brasil. Tudo no capricho, com edição numerada e livretos coloridos de doze páginas, com a mesma qualidade das edições originais inglesas.
Os primeiros lançamentos da Biplane são os CDs duplos “Live in Stockholm 1970”, “Live in Paris 1975” e “This time around – Live in Tokyo 1975”. O Deep Purple é pródigo em lançamentos ao vivo (talvez existam mais discos oficiais da banda ao vivo do que de estúdio). Isso tem um motivo: a banda sempre rendeu muito nos shows. O Purple nunca se limitou a tocar ao vivo cópias das gravações de estúdio. Sempre houve espaço para improvisos. No começo da carreira, isso era muito mais forte. O show de Estocolmo, logo após o lançamento do “In Rock”, traz uma amostra do desempenho que muitos associam até hoje ao “verdadeiro Purple”. São apenas sete faixas, duas delas com meia hora (!) de puro improviso. O show incluiu as faixas “Paint it Black” (dos Stones) e “Into the fire”, inéditas no Brasil em discos ao vivo oficiais. A apresentação de Estocolmo havia saído em duas outras edições no exterior: uma na Inglaterra, com o título de “Scandinavian Nights” e outra como “Live & Rare”, nos Estados Unidos, ambas fora de catálogo há tempos.
A versão que sai no Brasil traz duas diferenças: o som é melhor, pois foi remasterizada a partir das fitas gravadas do show, ao passo que os anteriores eram baseados na transmissão de uma rádio sueca. A outra diferença é que essa edição manteve a ordem da execução das músicas no show, começando com “Speed King” e terminado com “Black Night”, ambas ainda relativamente desconhecidas, à época (novembro de 1970). O “Live in Paris” traz simplesmente o último show de Blackmore com a formação conhecida como Mark III, que contava com David Coverdale e Glenn Hughes. Foi gravado durante a turnê do “Stormbringer”. O registro oficial que existia dessa época era até então o “Made in Europe”, que não pode ser comparado ao “Live in Paris”. Começando pela qualidade do som, muito melhor, passando pelo repertório (show completo, com “The Gypsy”, entre outras) e terminando pela extasiante performance da banda, o que temos é um documento histórico, que, ao fim da audição, provoca a inevitável pergunta: “mas, por que, tocando desse jeito, eles resolveram se separar?”.
Após algum tempo procurando o substituto de Blackmore, o Deep Purple encontrou Tommy Bolin. A turnê promocional do álbum seguinte, “Come taste de band”, passou pelo Japão. O registro dessa turnê havia rendido o álbum “Last Concert in Japan”, uma colcha de retalhos, que ficou com a fama de caça-níqueis, pelo excesso de edição em suas faixas (um breve exemplo: “Woman from Tokyo” apareceu na lista de músicas, quando, na verdade, foi apenas um trecho do solo de Jon Lord). O lançamento do “This time around” resgata o show original, completo, repleto de registros inéditos em discos ao vivo, como a faixa-título, “Lady Luck” e “I need love”, entre outras, com uma excelente qualidade de gravação. Os registros da mídia diziam que Bolin se apresentou nesse show sem suas melhores condições, pois estava com problemas no braço. Ouvindo esse disco. é difícil acreditar que alguém que participou do longo improviso (relembrando o velho Purple) em “Gettin’ Tigher”, estivesse debilitado.
A Biplane começa muito bem, com lançamentos que trazem registros de três fases gloriosas do Deep Purple e proporcionando a quem comprar os discos um duplo prazer: além da audição dos shows, a visão dos livretos. Coloridos, em papel de boa qualidade, abundantes de informações e de fotos (texto original, em inglês).
A Biplane promete surpresas – preparem-se! Uma dica para quem quiser comprar os discos: acesse o site (www.biplanerecords.com). O preço é menor e pode gerar descontos na pré-venda de novos itens. Talvez role alguma promoção dos futuros lançamentos neste blog – o Eremita vai tentar fazer o meio de campo entre o Ricardo e o Bento. Para finalizar, pense no que está rolando: a Biplane lança os discos, os fãs do bom Rock’n’Roll prestigiam comprando os lançamentos a preços honestos e com isso novos álbuns inéditos surgem. Pode estar começando uma espécie de círculo virtuoso, aquele em que todos ganham.
Escrito pelo Eremita, que fez questão de comprar os três lançamentos. As idéias do Eremita sobre o Rock, a vida e a contabilidade podem ser lidas no blog http://rockbrado.zip.net/
Bento Araújo18:49
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