Domingo, Agosto 26, 2007
Bento Araújo18:18
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Quarta-feira, Agosto 08, 2007
Paul Kossoff - Texto extraído da poeira Zine 11
O Blues inglês dos anos 60 deixou para o mundo uma leva assustadora de guitar-heroes. Jovens ingleses que bebiam nas fontes do blues negro norte-americano e que amplificavam seus fraseados de guitarra transformando o Blues em rock pesado, levando a nova sonoridade a ser a mais moderna mania entre os jovens do mundo todo.
No quesito ‘fama e reconhecimento mundial’, os guitarristas que passaram pelo Yardbirds formam o primeiro escalão dessa turma: Clapton, Beck e Page. No segundo escalão temos Rory Gallagher, Peter Green, Mick Taylor e Alvin Lee, músicos também geniais mas que não conseguiram a projeção e os dólares dos garotos do Yardbirds. Os mais letrados em rock sugerem ainda um terceiro escalão, com Kim Simmonds (Savoy Brown), Stan Webb (Chicken Shack) e Tony Mcphee (Groundhogs). Mas daí eu pergunto, e o Paul Kossoff?
Pode reparar, Kossoff nunca é lembrado nas listas dos grandes guitarristas. Talvez pelo fato dele ter escolhido as notas certas e ter apostado sempre no feeling ao invés da velocidade, a fama não bateu na sua porta como deveria.
O curriculum de Koss destaca uma lendária carreira ao lado do Free, projetos paralelos, uma turbulenta carreira-solo, canjas em álbuns de amigos e uma vida pessoal desregrada e depressiva. Esse era Koss, um guitar hero para poucos, músico que sentia cada nota, dono do ‘vibrato’ mais emocionante do Rock, que se foi há exatos trinta anos...
Paul Francis Kossoff vinha de uma tradicional família de judeus da classe média / alta de Londres. Nascido a 14 de setembro de 1950, em Hampstead, no norte de Londres, Koss sempre estudara em bons colégios e seu pai (David Kossoff) era um ator famoso da TV e dos palcos ingleses. O garoto desde muito cedo desenvolveu uma atração compulsiva pelo perigo. Como se ele tivesse que estar sempre no limite para se sentir bem. Aos 14 anos de idade, seus pais o tiraram da escola e pagavam professores para lecionar na própria casa da família Kossoff. A desculpa era que Paul estava andando com más companias na escola e tinha sido flagradao tomando pílulas estimulantes e remédios para emagrecer.
Visando amenizar o problema, a família de Paul sempre incentivava a pratica de esportes para o garoto, mas seu negócio era mesmo a música. Estudou violão clássico durante nove anos, mas a coisa começou a mudar quando passou a ouvir os discos de Ray Charles e Big Bill Broonzy de seu pai. O coroa vendo que o filho se dava muito bem com a guitarra, leva o garoto para a estrada, onde ele tocaria guitarra na peça e seria uma espécie de assistente de palco do pai.
Clapton e Hendrix
Mas o “estalo” na cabeça de Paul Kossoff, aconteceu no inverno de 1965, quando assistiu um show de Eric Clapton com os Bluesbreakers de John Mayall. Numa entrevista para a revista Guitar Player em 1975, Kossoff relembrou: “A minha primeira e verdadeira inspiração ocorreu quando eu assisti aquele show do Clapton com a banda de John Mayall num clube. Eu tinha a sensação que meu aprendizado clássico não seria mais útil naquele estilo de Blues. Meu interesse por guitarra passava a crescer imensamente e passei a curtir muito o trabalho de Peter Green no Fleetwood Mac. Depois passei a ouvir BB King e Freddie King, além de vocalistas como Otis Redding (curiosamente a maior influência de Paul Rodgers como vocalista). Outro show que me impressionou muito foi o de Jeff Beck com Rod Stewart nos vocais”.
Com o “trampo” que descolou na loja de instrumentos Selmer’s Music Shop, passou a estudar e a conhecer muito sobre aparelhagem, amplificadores e tipos de guitarra. Nessa rotina de comércio, um dia marcou para sempre sua vida: “Quando eu tinha cerca de 15 anos de idade e trabalhava numa loja de instrumentos, Jimi Hendrix veio para a Inglaterra com Chas Chandler (baixista dos Animals e manager de Hendrix) e começaram a rodar as lojas para comprar um bom equipamento. Um belo dia a dupla entrou lá na loja que eu trabalhava e fiquei petrificado. Não tinha nenhuma guitarra para canhoto na loja e Hendrix simplesmente pegou uma Fender Strato para destros mesmo, virou-a e começou a tocar algo no estio de“Little Wing”! Ele acabou não comprando nada, mas o simples fato de vê-lo tocar bem na minha frente, mexeu comigo. Eu simplesmente o amava e ele foi e sempre será o meu herói!” Paul Kossoff, em 1976, numa entrevista para a revista Guitar Player...
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Bento Araújo16:54
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