Domingo, Julho 30, 2006
Pensando e escrevendo ao som de Jackson Browne
Em quase trinta anos, muita coisa muda...
Há trinta anos eu nem tinha nascido...chega a ser maluca demais essa comparação com o passado, as vezes sem sentido mesmo...o que faz sentido é certas obras sobreviverem ao tempo e mesmo depois de quase esses trinta anos, elas virem até você, dar um tremendo tapa na sua cara, deixar você sem ação...
É bem atípico você interromper uma preocupação moderna demais (como o ato de fazer um tedioso back up de sua máquina) ou iniciar outra tão moderna, quanto se sentir obrigado a atualizar seu Blog (mais pelo fato de Karma pessoal do que pela preocupação com alguém que poderá se interessar por ele...), para falar de um disco registrado há quase trinta anos.
Naquela época, alguém talvez tenha escrito sua resenha numa folha de caderno universitário. Hoje confesso que sinto dor nas juntas quando empunho uma caneta...tomara que não aconteça isso com o cérebro daqui há alguns anos, tipo ter que sofrer por pensar por si só, e não através da máquina. Dá medo...
Bom, tudo isso porque mesmo com essas preocupações de novos tempos, o que me chapou hoje foi um disco gravado em 1977 e lançado no ano seguinte. Posso garantir que ele chegou a mim via LP, isso mesmo elepê, e me custou míseros R$3,00.
O disco em questão é Running On Empty, de Jackson Browne.
Importante que nessa vida já escrevi muito sobre discos, aliás desde quando estava na escola, matava o tempo resenhando discos nas folhas do fundo de um caderno universitário, com a vantagem de não sentir dor nas juntas da mão nessa época.
Como dizia, importante é reparar em minha própria mania de sempre escrever sobre um disco após ouvi-lo inúmeras vezes, mas com esse LP de três reais o papo foi outro, bastou uma ouvida (diga-se de passagem, antes mesmo do tradicional banho bolha do LP na pia da cozinha ou do tanque) para eu destacar essa folha do fundo do caderno da minha máquina, interrompendo o já famoso e maldito back up.
Depois de apenas uma audição, cá estou pra falar de um disco cuja história eu já manjava de antigamente, mas a sonoridade em si caiu sobre mim como uma bomba.
Browne é daqueles típicos fenômenos norte-americanos como Bruce Springsteen, Bob Seger ou Billy Joel, que fazem estrondoso sucesso local, porém são desprezados em lugares como o Brasil. Por que ao invés de compará-lo com Billy Joel, não o fazem com Neil Young? Running on Empty me soou tão clássico e essencial como Comes A Time, coincidentemente lançado no mesmo ano. (tenho sorte, pois na minha mente os discos se conectam o tempo inteiro, é mais forte do que eu!)
Isso aqui vai ficar longo demais para o blog e seria uma loucura completa incluir na versão impressa, mas prometo pra você, minha folha de caderno, que não ficarás jogada numa pasta empoeirada dessa velha máquina. Verás a luz do dia...(ai quanta palhaçada)...
Voltando a Browne e as minhas malucas conexões, esse sujeito de voz doce e feição amigável entrou no meu mundo através de outro fenômeno norte-americano: The Eagles. Famosos aqui estritamente pela manjada Hotel California, o grupo tem os holofotes divididos em dois caras, o bacana Glenn Frey e o não tão bacana Don Henley. Sempre apreciei o estilo de Frey, aquela coisa de carinha do sul da California, american songwriter, sempre com o violão de lado, cantando com os olhos fechados enquanto uma brisa bate imaginariamente em seu rosto.
Um dos vídeos que eu cresci assistindo era uma apresentação dos Eagles no programa Don Kirchner's Rock Concert, onde a banda dividia o palco com Jackson Browne, autor inclusive do primeiro hit dos Eagles, 'Take It Easy'.
A partir daí ficou claro que Browne era a principal influência de Frey. Com isso em mente comprei o LP de estréia de Browne, Jamaica Say You Will, barato e jogado nas ofertas (em cópia importada!). No mesmo dia encontrei com um amigo na rua, que viu o disco na minha mão e falou: 'Nossa o mesmo nome do disco do Joe Cocker!' Como sempre Browne saia de campo levando sova do adversário.
Depois comprei o segundo disco dele For Everyman, bem bacana, abrindo inclusive com sua versão de 'Take It Easy'. Como sempre paguei uma pechincha pela bolacha.
Passados uns bons anos, topei com esse Running on Empty semana passada, um álbum que soa único, exatamente como deveria soar em 1978.
O disco, gravado na estrada, ou no palco, ou no quarto de hotel e até em ônibus, é nada mais do que um fiel retrato de uma tour gigante de um astro nos 70s.
Assim como Neil Young, Browne rejeitava em Running On Empty os excessos e a fama tradicional do Rock. Buscava isolamento, cantava a beleza de contemplar as arenas vazias, os roadies desmontando o palco e a última guitarra sendo encaixotada para a viagem.
Tirava proveito em se mostrar um sujeito confuso como qualquer outro ser humano. Não quis ser retirado do confortável casulo de songwriter para ser apenas mais um rock star americano babaca como o Tommy Lee, por exemplo.
A ironia ficou por conta dessa sua rejeição ao estrelato ser justamente seu maior sucesso, já que Running On Empty foi seu mais bem sucedido registro.
É muito cedo ainda para citar faixas específicas (como falei escutei o álbum apenas uma vez, e não estou fazendo-o enquanto escrevo), mas já deu pra sentir, enquanto a agulha deslizava, que essa odisséia do trovador californiano é uma das mais belas tentativas de escapar da fama e do sucesso fácil. O oposto de um Framptom Comes Alive.
Recentemente a Rhino parece que relançou essa ode à estrada em formato deluxe edition, com sleevenotes de Cameron Crowe (essa obra de Browne daria um excelente filme nos moldes de Almost Famous), uma penca de fotos da tour, som de primeira, etc.
Mas espera aí, cadê a minha folha de papel?
Bento Araújo23:14
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Que tal um café da manhã com Alice Cooper?
Quem oferece esse barato é a rádio virtual inglesa Planet Rock.
Diariamente, Alice toca, direto de sua casa em Phoenix, Arizona, clássicos do rock dos anos 60, 70 e 80.
O programa vai ao ar todos os dias às seis da matina (horário britânico).
http://www.planetrock.com
Tentei acessar e parece que somente os ingleses tem acesso ao programa.
Se alguém conseguir ouvir, dê um hello!
Quem também anda apresentando programas na rádio é Ian Anderson e Rick Wakeman!
Bento Araújo22:14
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Sacrilégio?
Buddy Miles e Billy Cox estão trazendo de volta a Band Of Gypsys!
The Band Of Gypsys Return é o nome de um CD/DVD a ser lançado pela dupla em breve.
Falando em álbuns, quem terá suas obras remasterizadas é o guitar man canadense Frank Marino e sua Mahogany Rush. Seus três primeiros trabalhos, Maxoom, Child of The Novelty e Strange Universe (todos clássicos!) serão relançados esse segundo semestre pelo selo canadense In Time. Pra quem não conhece o trabalho de Marino, está dada a dica...
Sugiro principalmente o Strange Universe.
Marino está naquele time de seguidores do mestre Hendrix, que fez fama nos anos 70. Assim como ele, temos Robin Trower e Ulrich Roth...eta galera de responsa...
Falando em Remasters, o Slade terá boa parte de sua discografia relançada pela Union Square/Salvo Records.
Idolatrada por muitos e discriminada por alguns poucos, a banda que cunhou um dos melhores live albuns da história do Rock (Slade Alive!) está também com um Box Set nos planos!
Os remasters virão em formato 2 em 1, com destaque total para Beginnings + Play It Loud! e para um packet especial chamado Slade Live Anthology, contendo o Slade Alive I, Slade Alive II, Slade On Stage e o EP Reading 80!
Imperdível!
O Crazy Horse também mereceu uma mega-relançamento com The Complete Reprise Recordings 1971-1973.
Além dos dois álbuns pelo selo na íntegra (a homônima e irretocável estréia + o não tão bacana Loose), a cereja do bolo é um CD bonus com out-takes do primeiro disco dos caras! Uma das melhores backing-bands da história!
Outro relançamento que está me fazendo salivar é o Eat A Peach dos Allman Brothers. A Deluxe Edition dupla da Universal traz o disco duplo original na íntegra mais um CD com a lendária apresentação do encerramento do Fillmore East, em 27 de junho de 1971. São 7 faixas nunca editadas, somando 70 minutos de live material. Nesse mesmo padrão foi relançada também a estréia solo de Eric Clapton de 1970, com 13 faixas inéditas.
Outros relançamentos interessantes que estão pipocando lá fora:
Gram Parsons - The Complete Reprise Sessions (no mesmo padrão do Crazy Horse)
The Jam - All Mod Cons (Com B sides + DVD)
Nuggests - The Original Artyfacts... (relançamento da compilação original de 1972, não do Box)
Family - Bandstand
Quartz - Quartz (esse LP marcou época no Brasil! Banda do tecladista Geoff Nicholls do Sabbath e produção de Tony Iommi!)
High Tide - Sea Shanties e High Tide
The Replacements - The Best Of (naquele 'padrão Rhino de ser')
Dr. Feelgood - Down By The Jetty (Duplão remaster com bonus inéditas, e versão mono/stereo do clássico original)
The New York Dolls - From Here To Eternity: The Live Bootleg Box Set (sete shows de 73-84 em três cds)
Ellis - Riding on the Crest of a Slump/Why Not? (2 em 1 da banda do ex-Love Affair Steve Ellis. O cara também cantou no primeiro álbum do Widowmaker e é uma lenda do rock inglês dos anos 70. Tenho em LP e um deles é produzido pelo Roger Daltrey!)
E alguns lançamentos:
Glenn Hughes - Music From The Divine
New York Dolls - One Day It Will Please Us To Remember Even This
Cheap Trick - Rockford
Leslie West - Blue Me
Saxon - The Eagle Has Landed III
A Tribute to Pink Floyd - Return to the Dark Side Of The Moon com Adrian Belew, Rick Wakeman e John Wetton entre outros..
Bento Araújo22:06
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Quarta-feira, Julho 19, 2006
Ao ser entrevistado por uma publicação inglesa, Mr. Jeff Beck foi questionado sobre qual banda ele aceitaria ser meramente o guitarrista, caso fosse convidado...
A resposta dele:
MOTORHEAD!!!!
Imaginem Jeff Beck no Motorhead!
Na mesma entrevista, o entrevistador pergunta qual a opinião do guitarrista em relação a uma suposta volta do Jeff Beck Group, com Rod Stewart e Ron Wood. Beck confessou que não gostaria nem um pouco que isso viesse a acontecer...
Bento Araújo12:14
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As famosas 'puladas de cerca' desse que vos escreve:
BIZZ: Máquina do Tempo, falando de 1973, época de show de despedida de Ziggy Stardust (com Jeff Beck dando canja!), Ray Davies dos Kinks surtando geral, Geraldo Vandré voltando ao Brasil, etc.
Na mesma edição, participei da matéria as 50 mais chapadas canções de todos os tempos, falando de Jefferson Airplane, Beatles, Eric Burdon & The Animals, Thin Lizzy, Ozzy, Lennon, Byrds, etc.
Roadie Crew: A seção Eternal Idol dedicada ao grande Cozy Powell e uma resenha sobre o clássico 2112 do RUSH, que faz 30 anos!
Rock Brigade: A seção Fundo do Baú com a banda BABE RUTH
Mês que vem tem mais...
Bento Araújo11:53
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Terça-feira, Julho 11, 2006
Syd Barrett morre aos 60 anos!
Parece que foi na última sexta, dia 07, mas a família só divulgou nesse início de semana. A assessoria de imprensa do Floyd e Mr. David Gilmour confirmaram a triste notícia.
Aparentemente Syd morreu em casa, em função de complicações de diabetes.
A próxima poeira Fest será em homenagem ao mentor do Pink Floyd, com o Violeta de Outono executando clássicos do Piper At The Gates of Dawn e dos discos solo de Barrett. Outras bandas também participarão do evento, mais notícias em breve.
Bento Araújo13:46
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