Segunda-feira, Julho 25, 2005
Saindo do Show do Tomada fui para o Café Piu Piu conferir o Compácta Triô, apresentando músicas do King Crimson e também algumas composições próprias.
Cheguei no local ao lado do incansável fotógrafo Toni De Gomes e me deparei com a execução de Lark´s Tongues in Aspic pt 3 e Lark´s Tongues in Aspic pt 2. Nos acomodamos e sem tempo nem para respirar os caras mandaram uma sequência surreal: I Talk to the Wind, Frame by Frame, Discipline, Indiscipline, Level 5, Cat Food e One More Red Nightmare.
O quarteto era aplaudido efusivamente a cada tema apresentado, por um público repleto de Frippmaníacos, Bruffordmaníacos, Wettonmaníacos, Sinfieldmaníacos, Lakemaníacos e demais insanos.
Todos tocavam aliando uma emoção a flor da pele e uma exatidão perfeita. O batera Fred Barley (também integrante do Yessongs)fez também percussão e os vocais, mostrando que se o músico é um sujeito aplicado ele pode beirar a perfeição. Aqueles andamentos complexos e extremamente diversos eram colocados ali a disposição de quem quisesse ouvir, e lógico que todos estavam ali para ouvir exatamente essas ricas nuances da música do Rei Escarlate.
No baixo estava Gabriel Costa (também integrante do Homem com Asas), aliás o Gabriel não largou o baixo nem durante o intervalo. O cara tomou cerveja no balcão do bar com o baixo pendurado no ombro! Isso é que é dedicação total ao instrumento!
Essa mesma dedicação mostrou o tecladista Fernando Cardoso (também do Yessongs) e o guitarrista Emiliano Alvarez. O primeiro estava com uma autêntica 'parafernália vintage' no palco, trazendo aquelas maravilhosas 'emulações guitarrísticas', uma pitadinha de som de Moog e até Mellotron. Coisa fina!
Já o Emiliano se mostrou discreto e eficiente, abusando da sua Stratocaster. Compenetrado, o guitarrista brilhou em temas como Starless (só de lembrar dessa já dá arrepio!) e Red.
O grupo ainda mandou duas composições próprias, Impróviso Nambaruâm e Samba-Réquiem, algo no estilo do KC mas com uma pitada mais brasileira, ambas bem legais também.
Na segunda entrada tivemos: Epitaph, Fracture, um Medley com Book of Saturday/Easy Money/The Talking Drum/21st Century Schizoid Man todas emendadas, Three of a Perfect Pair e The Great Deceiver (essa eu particurlamente adoro e foi uma surpresa eles terem tocado).
Na minha opinião só faltou In The Court Of The Crimson King (tenho certeza que essa eles devem tocar até algemados!hahaha). E falando em algemas, esses caras tem que ser presos! Autoridades façam alguma coisa! Músicos assim não podem estar a solta pelas ruas! Para quem é "meio-músico" como eu, isso soa como ofença! hehehe
Parabéns pessoal!
Nessa mesma noite rolou um show com o Carro Bomba (como eu adoro essa minha cidade!), mas seria impraticável cobrir três shows! Sorry Boys, na próxima eu estarei lá...
Fotos do Compácta e do Tomada by Toni de Gomes
Bento Araújo12:53
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Quem fez um show bacana e cheio de energia foi o Tomada no Centro Cultural São Paulo, quinta feira passada.
O bom público pôde conferir as novas composições do disco Volts e os já clássicos temas do Tudo Em Nome Do Rn'R.
Ricardo 'Cadinho' Alpendre, Marcelo 'Pepe' Bueno, Rodrigão 'Chapolas' e 'Du' Careca quebraram tudo, mostrando que o Tomada vem cada vez mais aperfeiçoando seu estilo de rock brasileiro.
Participações especiais como Rodrigo Hid (ex-Patrulha e atual Pedra) na guitarra e teclados e de um trio de backing vocals, deram um molho especial à apresentação.
O Volts já foi lançado e a partir dessa semana estará nas melhores lojas do ramo. Entrevista e resenha do play na última poeira (Mountain on cover).
Bento Araújo12:50
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Segunda-feira, Julho 18, 2005
Nessa próxima quinta:
E o pessoal já avisa que o repertório é focado na fase 69-73!
Mas é lógico que eles não devem deixar de fora coisas do Red, Starless and The Bibble Black, etc.
Acabo de olhar para a pilha de Lps que separei para minha 'audição diária' aqui ao meu lado, e o próximo disco é o Lizard...
Bela coincidência...
Bento Araújo13:56
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Quarta-feira, Julho 13, 2005
Os mais Rockers
Já que hoje é dia internacional de Rock, que tal uma lista rápida e ligeira com 10 'true rockers'?
Lá vai: (sem ordem de preferência)
Chuck Berry
John Lennon
Phil Lynott
Steve Marriot
Bon Scott
Keith Richards
Joe Perry
Keith Moon
Jimi Hendrix
John Bonham
Quem quiser postar sua lista será bem vindo!
 
Bento Araújo18:40
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Segunda-feira, Julho 11, 2005
Há 36 anos atrás...
era lançado o single Space Oddity de Bowie na Inglaterra...
Isso é que é ser um cara de vanguarda...
Essa é a capa do álbum:

Bento Araújo18:05
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Acho que nunca dei o toque!
A poeira Zine tem uma comunidade no Orkut, anote aí:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=213450
Bento Araújo17:56
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Corra para a super banca mais próxima e passe mal my friend...
Pois é, eu vi ontem e é de chorar! Tanto o acabamento gráfico como o preço, 80 paus!!!!
Tem a história inteira do cara, passando pelo Buffalo Springfield, CSN&Y, Crazy Horse, discografia comentada, produtores e amigos de Young, etc...
Por que a gente está tão longe de tudo? Sempre me pergunto isso quando pego uma dessas em mãos...
Bento Araújo17:50
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Voltando ao prato da Vitrola
Zappa - The Man From Utopia (1983)
Definitivamente não é um dos meus preferidos do Mr. Frank...
Como ele adorava fazer, mezzo live/mezzo estúdio. O vinil tem uma faixa a menos do que a versão em CD, porém está repleto de overdubbs de batera feitos pelo Chad Wackerman bem posteriormente...É óbvio então que eu fico com o vinil nesse caso, além do fato da maravilhosa capa ser muito mais impactante nesse formato.
De legal mesmo só Stick Together, Cocaine Decisions e We Are Not Alone. O restante é muito 'digital de plástico', com timbres sem graça.
Ahhh! as instrumentais também passam, Moggio e Tink Walks Amok (com o baixão nervoso de Arthur Barrow).
Agora legal mesmo é o episódio que funcionou como inspiração para essa capa maluca do artista italiano Tanino Liberatore.
A Tour de 82 de Zappa e sua tchurma ficou marcado por um show insano num estádio de futebol onde a platéia entrou em conflito com a polícia e bombas de gás foram jogadas até no palco...
A contra-capa então é hilária onde o Papa aparece reverenciando Zappa no meio a caras truculentos cheirando cocaina...
Mais detalhes sobre o episódio no home video Dub Room Special, imperdível!
Steve Morse Band - Stand Up (1985)
O Lado A é de doer! Comercial, careta e datado pacas, mostrando uma típica produção oitentista cafona. Já o B-side é excelente, onde composições instrumentais tomam conta do que estava praticamente perdido. Participações de Peter Framptom, Eric Johnson e Alex Ligertwood (ex-Average White Band e famoso por ser aquele vocalista do Santana nos 80's) são até interessantes. Uma coisa é sempre nítida e muito clara: para quem curte guitarra, Morse é uma figura sagrada e seus trabalhos são audições obrigatórias.
Argent - Encore (1973)
Nos 90's a banda passou a ser conhecida por uma nova geração graças a uma releitura do Kiss para um de seus hits: God Gave Rock N Rol To You. Apesar de ter emplacado outro mega hit na dácada de setenta (Hold Your Head Up) o Argent mostra nesse duplo ao vivo ser uma das grandes bandas progressivas do período. Eles tinham tudo conspirando a favor: Um líder carismático e boa pinta, ex-integrante do Zombies (uma das melhores crias do rock inglês dos anos 60), o tecladista, vocalista e maestro - Mr. Rod Argent. Na guitarra, um músico completo e compositor fantástico, Russ Ballard. (Você está duvidando é? Bom, então fique sabendo que o cara criou pérolas como Since Youve Been Gone, aquele mega-hit do Rainbow fase Graham Bonnet).
Esse live também contém uma versão para Time Of the Season, clássico dos Zombies que serviu de inspiração até para Ando Meio Desligado dos nossos heróis brazucas...
Jerry Garcia - Garcia (1972)
Já devo ter falado dessa obra prima aqui no Blog mas esse disco merece no mínimo uma manisfestação a cada audição. Um milagre ter saído por aqui em 1972 (simultâneamente com os EUA!) pela Warner/Continental, com capa censurada e tal...(Pô mas era só uns peitinhos inofensivos!)
É o segundo solo de Garcia, que transcendeu a imagem limitada de um guirtarrista de uma banda de Rock. Garcia é ícone cultural da América, nome de estrela e sorvete de cereja. Aqui ele só não toca bateria, que ficou a cargo de Bill Kreutzmann.
Sugaree é algo que me toca de verdade. Sei lá, tem que ouvir no feeling, falar não vai aliviar em nada...
Bento Araújo16:43
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Terça-feira, Julho 05, 2005
PFM: belo retorno à era Cenozóica
pelo colaborador Sérgio Alpendre
fotos de Toni de Gomes
No início, o bate-papo é atualizado. Bom encontrar amigos e aguardar com eles um show há muito esperado. A graça do reencontro subitamente é acrescida da emoção de ver os dinossauros no palco. Di Cioccio, Djivas e Mussida, rodeados por três calvos integrantes, entre eles o ótimo violinista Lucio Fabri. Flavio Premoli, infelizmente, não pôde vir, e os erros cometidos pelo tecladista substituto devem ser perdoados. Afinal, queremos máquinas ou humanos tocando? Erros em shows são bem-vindos, dão um calor especial à noite. Ainda mais se for de um músico que teve de substituir um dos mais idolatrados membros da banda.
Franco Mussida, camiseta preta de manga longa, alto e tímido, começa a dedilhar em seu violão. A melodia deixou-me um tanto anestesiado, e logo reconheço Appena um Po, a faixa que abre Per um Amico, bela canção, seguida da faixa título do mesmo disco. Um alívio: eles resolveram cantar em italiano, esquecendo (exceto nas faixas da fase Lanzetti) aquele inglês Massarella típico de Photos of Ghosts. Faixas antigas convivem muito bem com as mais novas. Destas, a melhor é La Rivoluzione, belíssima faixa de Serendipity, álbum de 2000, o último de estúdio da banda. Uma execução animada e bem suingada, com Di Cioccio empolgado e empolgando a platéia.
Franco Mussida está com artrite, e em certo momento pede ao tecladista que estique seus dedos. Mesmo assim, arrasa nos momentos mais agitados, e comove nos mais líricos. Seu domínio do violão clássico leva-nos às lágrimas, menos pela habilidade, maculada pelos problemas de não ser mais jovem, do que por uma imensa noção de tempo e uma infindável sensibilidade. Atrasando a entrada de sua voz, cantando fora de tom algumas passagens que eram da responsabilidade do ausente Premoli, lembrando nomes de jogadores brasileiros que atuam no Milan, Mussida brilha, um pouco por sabermos o quanto ele fez no passado, e o quanto de história da boa música tem debaixo daqueles cabelos brancos. Mas brilha também por puxar as mais belas melodias em sua guitarra chorosa (algo entre Gilmour e Hackett, mas um tanto mais improvisado que os dois).
Il Banchetto, que já vinha recebendo um arranjo meio bossa desde o retorno da banda nos anos 90, tem os elementos de Bossa Nova ainda mais evidentes. Basta comparar a execução mais fria do famoso DVD no Japão em 2002 com a do show de sexta, com um pouco de brasilidade a mais. Curiosa melodia, com um arranjo à altura. É um dos momentos altos do show. Assim como as canções de Chocolate Kings, onde mesmo com Di Cioccio imitando o Lanzetti, que imitava o Peter Gabriel, dá pra se empolgar com o esmero técnico dos músicos. Tanto Out of the Roundabout --uma maravilha que nem Lanzetti, em sua época, conseguiu diminuir-- quanto Harlequin mereceram os aplausos entusiasmados da platéia.
Dolcissima Maria obviamente foi um dos momentos mais festejados. Mas o arranjo que a tornou mais lenta e um tanto melosa a prejudicou. O mesmo aconteceu com Dove...Quando, antecipada por alguém na platéia (algumas pessoas adoram mostrar que conhecem o repertório dos shows, prova de infantilidade compulsiva), e cantada de maneira bem mais lenta do que na versão original. E mais lenta, salvo engano, que no show do Japão. Deslizes menores, que não comprometem o show.
O início piegas toda vida de Suonare Suonare ameaça embalsamar tudo. Mas na metade da música, a ordem é reestabelecida, e o açucar é cortado pela pegada jazz-rock virulenta, com perfeita simbiose entre baixo/batera e guitarra. Maestro della Voce, canção do mesmo álbum, o irregular Suonare Suonare (do qual fez falta a maluca Si Puo Fare), foi anunciada como a homenagem a Demetrio Stratos, exímio vocalista da banda Area, falecido um ano antes do lançamento do disco (1980). Di Cioccio, como vocalista, está a milhas de distância de Stratos, mas a homenagem foi muito bem executada.
Luna Nuova foi o momento esperado de extrapolação sinfônica, que causou até um comentário bufo do amigo e editor Bento. Moog correndo solto, platéia alucinada: voltamos, por alguns momentos, ao ano de 1974. Fizeram falta no repertório Generale, LIsola di Niente e Via Lumiere. Mas o bis veio com as esperadas Impressioni di Setembre, com o crescendo mais belo do rock progressivo e E Festa, na qual Di Cioccio mostrou sua faceta entertainer. No final, fotos com os figuras, autógrafos, e a certeza de ter visto um belíssimo show. Certamente é o tesão que move essa banda, não o dinheiro. Apesar de ser difícil saber ao certo em que medida esses dois ingredientes estão presentes, nota-se que, para os velhinhos do Premiata Forneria Marconi, a música é vital. Uma celebração.

Bento Araújo17:49
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